CONCUPISCÊNCIA

Tiago. 1:13-15:

13- “Ninguém, sendo tentado, diga: de Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta.”
14- “Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência.”
15- “Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz ao pecado; sendo consumado, gera a morte.”

Alguns estudiosos considerando o texto de Tiago 1:14 ensinam que a concupiscência não é pecado, mas sim algo que gera ou concebe o pecado.
Esse ensinamento não é correto. Afirmar que a concupiscência ou cobiça não é pecado é estranho porque de uma forma muito clara contradiz o que nos ensina o Senhor no décimo mandamento no qual o Senhor nos ensina de forma muito clara que COBIÇA OU CONCUPISCÊNCIA é pecado sim.
A Lição da Escola Sabatina CARTA DE TIAGO, de 2014 descreve um comentário interessante: “Tiago é enfático. Deus não é autor do mal nem é a fonte da tentação. O próprio mal é a fonte da tentação. De acordo com essa passagem, o problema está dentro de nós. Essa é a principal razão pela qual é tão difícil resistir á tentação. Assim, a batalha contra o pecado começa na mente. Por mais que muitos não queiram ouvir isso, a verdade é que escolhemos pecar. Ninguém pode nos forçar (Rm 6:16-18). Desejos pecaminosos, inclinações e tendências captam constantemente a nossa atenção. Usando termos comuns caça e pesca, Tiago 1:14 descreve esses impulsos interiores. Nossos próprios desejos nos atraem e seduzem e quando cedemos a eles, somos finalmente fisgados e presos na armadilha.”Lição da Escola Sabatina 4T/2014, Carta de Tiago, Lição Professor, p. 30.

Agora importantíssimo saber: QUANDO o pecado se manifesta na vida daquele que possui esse defeito de caráter, é CONCUPISCÊNCIA OU COBIÇA?
Acredito claro e evidente que esse defeito de caráter que Tiago cita como exemplo, se manifesta na nossa mente no momento QUE COBIÇAMOS OU DESEJAMOS ALGO ILÍCITO.
“De acordo com essa passagem, o problema está dentro de nós”, “o pecado começa na mente”. Esse tipo de tentação é pecado por se tratar de manifestação de defeito de caráter ainda mantido na vida. São os “IMPULSOS INTERIORES”, citados na nossa lição revelando que ainda temos um caráter defeituoso. Fato importante e que precisamos entender, é que tolerar que continuemos tendo um caráter defeituoso é pecado justificando que temos natureza pecaminosa, pois o nosso maravilhoso Deus está disposto a nos conceder plena transformação e purificação do nosso caráter para torná-lo semelhante ao de Cristo. Maravilhoso não é?
“Pelas quais nos têm sido doadas as suas mui grandes promessas, para que por elas vos torneis co-participante da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo.” 2 Pedro 1:4

ORIGEM DA PALAVRA CONCUPISCÊNCIA
“Concupiscência é o termo utilizado para designar a cobiça ou apreço por bens materiais, assim como os prazeres sexuais. Etimologicamente, este termo se originou a partir do latim concupiscens, que significa “o que tem um forte desejo”, que deriva da palavra concupera, que quer dizer “ter forte desejo”.
A pessoa na qual se manifesta a concupiscência, ou seja, se manifesta “um forte desejo” por bens matérias ou prazeres sexuais, revelando que essa pessoa ainda possui defeito de caráter e manter defeito de caráter é pecado.
Manter defeito de caráter é pecado, é estar em pecado.

A seguir, dois textos inspirados por Deus que nos esclarecem sobre a possibilidade de um caráter transformado:

“Então somos purificados de todo pecado, de todos os defeitos de caráter. Não precisamos reter nenhuma propensão pecaminosa.” Comentários de Ellen G. White, SDABC, vol. 7, pág. 943 (Lição da Escola Sabatina, 2T/1990, pág. 50)
“Nunca devemos abaixar a norma de justiça com o fim de acomodar à prática do mal, tendências herdadas ou cultivadas. Precisamos compreender que imperfeição de caráter é pecado.” Ellen G. White, Parábolas de Jesus, p. 330.

Quando que o defeito de caráter, inveja, dá origem ao pecado?
Não podemos dar a Tiago uma interpretação ignorando o que o Senhor nos ensinou no evangelho de Mateus e também o que o apóstolo Paulo nos ensinou no livro de Romanos: “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu porém, vos digo que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar já em seu coração cometeu adultério com ela” Mateus 5:27-28 Versão João Ferreira de Almeida Revista e Corrigida.
Segundo o que nos ensinou Jesus assim que eu desejo ou cobiço uma mulher tendo pensamentos impuros, já em meu coração cometi adultério, ou seja, já pequei. Interessante é que nessa versão o exemplo dado por Jesus nos revela quando a cobiça gera o pecado. Segundo Jesus o pecado surge assim que em nossa mente se manifesta a cobiça com desejos impuros.
Na carta de Paulo aos Romanos, há um texto bastante esclarecedor a esse respeito. Veja que o apóstolo Paulo define pecado como sendo transgressão da lei, e segundo o apóstolo a concupiscência é a manifestação da quebra do mandamento não cobiçarás:
“Que diremos, pois? É a lei pecado? De modo nenhum! Mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás.” Romanos 7:7, Versão João Ferreira de Almeida Revista e Corrigida.

Diante desses argumentos como afirmar então que o apóstolo Tiago está nos ensinando em Tiago 1:14-15 que concupiscência não é pecado, mas sim algo que gera o pecado?
Como harmonizar o pensamento de que a concupiscência não é pecado, mas sim algo que gera ou concebe o pecado

1- As concupiscências devem ser ELIMINADAS da vida dos salvos em Jesus:

“Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens. Ensinando-nos que, RENUNCIANDO a impiedade e ás CONCUPISCÊNCIAS mundanas, vivamos no presente século, sóbria, justa e piamente.” Tito 2:11-12

“Amados, peço-vos, como peregrinos e forasteiros, que vos ABSTENHAIS DAS CONCUPISCÊNCIAS CARNAIS que combatem contra a alma.” 1 Pedro 2:11

“MORTIFICAI, pois, os vossos membros, que estão sobre a terra: A fornicação, a impureza, a afeição desordenada, A VIL CONCUPISCÊNCIA e a avareza, que é idolatria.” Colosseses 3:5

“Pelas quais nos tem dado gradíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo” 2 Pedro 1:4

2- A concupiscência é uma característica dos que ainda estão perdidos:

“Como filhos obedientes, não vos conformando com as concupiscências que antes havia em vossa ignorância.” 1 Pedro 1:14

“Não na PAIXÃO DA CONCUPISCÊNCIA, como os gentios, que não conhecem a Deus.” 1 Tessalonicenses 4:5

Definição de concupiscência – algo que procede do mundo não do Pai:

“Porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo.” 1 João 2:16

“Mas os que querem ser ricos caem em tentação, em laço e em muitas CONCUPISCÊNCIAS LOUCAS E NOCIVAS, que submergem os homens na perdição e ruina.” 1 Timóteo 6:9

3- Cristo nos liberta:

“Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e não tenhais cuidado da carne em suas concupiscências.” Romanos 13:14

4- Duas opções, Deus ou o pecado:

“Para que, no tempo que vos resta na carne, não vivais mais segundo as concupiscências dos homens, mas segundo a vontade de Deus” 2 Pedro 4:2

Como entender então Tiago 1:13-15?
Tiago está comentando nesses versos, como o pecado se manifesta na vida daqueles que ainda não passaram pelo processo transformador e purificador que o Senhor deseja realizas em nós. Como afirma a lição, citada no início desse trabalho “o problema está dentro de nós.” Assim, a batalha contra o pecado começa na mente. Por mais que muitos não queiram ouvir isso, a verdade é que escolhemos pecar. Ninguém pode nos forçar (Rm 6:16-18). Desejos pecaminosos, inclinações e tendências captam constantemente a nossa atenção.

Usando termos comuns caça e pesca, Tiago 1:14 descreve esses impulsos interiores. Nossos próprios desejos nos atraem e seduzem e quando cedemos a eles, somos finalmente fisgados e presos na armadilha.” Lição da Escola Sabatina, 4T/2014, Carta de Tiago lição prof. P. 30.

Nossos defeitos de caráter e o exemplo de defeito de caráter citado por Tiago é o da COMCUPISCÊNCIA OU COBIÇA.

“Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne.” Ezequiel 36:26

“A fim de que o preceito da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito. Porque os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne; mas os que se inclinam para o Espírito, das coisas do Espírito.” Rom 8:4-5

“Logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim. Gal. 2:20

Até o presente momento, estamos falando de um tipo de tentação que é pecado por simplesmente serem tentações que revelam que ainda possuirmos um caráter defeituoso.
Curioso é que na mesma lição da escola sabatina nos foi mostrado quando tentação não é pecado.

QUANDO TENTAÇÃO NÃO É PECADO
LIÇÃO: Escola Sabatina Carta de Tiago 2014:
“Tiago separa claramente a tentação do pecado. O problema não é a tentação, mas como reagimos a ela. Ter uma natureza pecaminosa não é pecado. NO ENTANTO, É PECADO PERMITIR QUE A NATUREZA PECAMINOSA CONTROLE NOSSOS PENSAMENTOS E DITE NOSSAS ESCOLHAS. Assim temos as promessas, encontradas na Palavra de Deus, que nos oferecem garantias de vitória, se as reclamarmos para nós mesmos e nos apegarmos a elas pela fé.”Lição da Escola Sabatina 4T/2014 Carta de Tiago, Lição Professor, p. 30.

Nesse caso agora nossa lição da Escola Sabatina está nos falando de outro tipo de tentação que é estímulos ou provocações exteriores, provocadas pelo inimigo das almas, tentado despertar em nós algum pensamento ou desejo contrário a vontade de Deus. Tentando encontrar em nós algum defeito de caráter. Jesus veio ao nosso mundo tomou a nossa natureza e nunca teve um pensamento ou desejo que contrariasse a vontade de Deus provando assim que nossa natureza caída não é desculpa para que continuemos tendo diante de determinadas circunstâncias pensamentos ou desejos pecaminosos.

“Tive a liberdade e poder para apresentar Jesus, que tomou sobre Si as fraquezas e levou a dor e as tristezas da humanidade, vencendo em nosso favor. Ele foi feito à semelhança de Seus irmãos, com as mesmas susceptibilidades físicas e mentais. Assim como nós, em tudo Ele foi tentado, mas sem pecar, e Ele sabe como socorrer aqueles que são tentados.” Ellen White e a Humanidade de Cristo pág. 152

“Cristo […] não transgrediu a lei de Deus em nenhum detalhe. Mais que isso, Ele eliminou qualquer desculpa do homem caído que pudesse alegar alguma razão para não guardar a lei de Deus. Cristo estava cercado das fraquezas da humanidade, era afligido com as mais ferozes tentações, tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, e mesmo assim desenvolveu um caráter reto. Nenhuma mancha de pecado foi encontrada sobre Ele.”-ST, 16/01/1896; Ellen White e a Humanidade de Cristo, p. 173.
“No Seu íntimo dominava o mais puro amor, livre de toda mancha de egoísmo e pecado. Sua vida era perfeitamente equilibrada. Ele é o único verdadeiro modelo de bondade e perfeição.” Mente, Caráter e Personalidade vol. 1 p 182

“Ele sofreu ao ser tentado, e sofreu proporcionalmente à perfeição de Sua santidade. Mas o príncipe das trevas não achou nEle ; nem sequer um simples PENSAMENTO OU SENTIMENTO respondeu à tentação.” Ellen White e a Humanidade de Cristo p. 152

TENTAÇÃO DE JESUS UM MISTÉRIO
Uma coisa que precisa ficar muito clara é que quando estamos falando sobre o fato de Jesus ter sido tentado em todas as coisas como nós e alguns querer acreditar para que isso fosse possível Cristo teria que ter tido, todas as propensões para o pecado nós temos. Essas pessoas precisam entender uma coisa importantíssima: COMO CRISTO FOI TENTADO É UM MISTÉRIO QUE NÃO FOI REVELADO AOS MORTAIS.

“Estas palavras não são aplicadas a nenhum ser humano, exceto o Filho de Deus Infinito. Nunca, de maneira alguma, deixe a mais leve impressão sobre as mentes humanas de que havia uma mancha ou inclinação para a corrupção sobre Cristo, ou que, de alguma maneira, Ele cedeu à corrupção.Ele foi tentado em todas as coisas como o homem é tentado, e mesmo assim é chamado o ente santo. Isto é um mistério que foi deixado sem explicação para mortais.”Ellen White e a Humanidade de Cristo, p. 79.

“É um inexplicável mistério a mortais que Cristo pudesse ser tentado em todos os pontos, como nós o somos, e todavia ser sem pecado[….] Ele humilhou-Se a Si mesmo quando esteve em forma humana, para que pudesse compreender a força de todas as tentações com as quais o homem é assediado.” (Ellen G. White carta 8 de 1895) Tocado por Nossos Sentimentos p. 158
Um detalhe importantíssimo sobre esse tema é considerar a abrangência da lei de Deus, vejam a seguir como é claro que a lei abrange PENSAMENTOS E DESEJOS E INTENÇÕES. Quando afirmamos que pecado é transgressão da lei, não podemos usar essa definição como se pecado “FOSSE ATO CONSUMADO”. Como dizem alguns.

TEXTOS SOBRE A ABRANGÊNCIA DA LEI DE DEUS
“Diz o salmista: “A lei do Senhor é perfeita.” Quão admirável em sua simplicidade, sua amplitude e perfeição, é a lei de Jeová! É tão breve, que nos é possível decorar facilmente cada preceito, e todavia tão abrangente que exprime toda a vontade de Deus, e toma conhecimento não somente das ações exteriores, mas dos pensamentos e intenções, dos desejos e emoções do coração.”
“Se a lei alcançasse apenas a conduta exterior, os homens não seriam culpados em seus maus pensamentos, desejos e desígnios. Mas a lei requer que a própria alma seja pura e a mente santa, para que os pensamentos e a sensibilidade estejam de acordo com a norma de amor e justiça.” ME vol. 1 p. 211
“Cristo tomou a humanidade e suportou o ódio do mundo para que pudesse revelar a homens e mulheres que estes poderiam viver sem pecado, que suas palavras, atos, seu espírito, poderiam ser santificados para Deus. Podemos ser cristãos perfeitosse manifestarmos esse poder em nossa vida. Quando a luz do Céu repousar sobre nós continuamente, representaremos a Cristo.” Olhando Para O Alto p. 297

DEFEITO DE CARÁTER
Manifestação de propensão para pecar se manifestando é o mesmo que defeito de caráter se manifestando.
Purificação de todo pecado. “Precisamos compreender que pele fé em Cristo é nosso privilégio ser participante da natureza divina e livrar-nos da corrupção das paixões que há no mundo. Então somos purificados de todo pecado, de todos os defeitos de caráter.Não precisamos reter nenhuma propensão pecaminosa.” Comentários de Ellen G. White, SDABC, vol. 7, pág. 943 ( Lição da Escola Sabatina 2° Trim. 1990 pág. 50)

A seguir um texto da serva do Senhor alertando quanto ao perfil de cristão requerido por Deus:

“De todos é requerido perfeição moral. Nunca devemos abaixar a norma de justiça com o fim de acomodar à prática do mal, tendências herdadas ou cultivadas.” Parábola de Jesus p.33

A vontade de Cristo

“Eu não posso de Mim mesmo fazer coisa alguma: Como ouço, assim julgo; e o meu juízo é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade do meu Pai que me enviou.” João 5:30

Pastor Dennis Priebe em uma mensagem sobre a humanidade de Cristo, fez o seguinte comentário sobre esse verso: “Eu esperaria que Jesus dissesse: Eu Busco a Minha vontade e a vontade do meu Pai, porque elas são iguais.” Aqui está o link da mensagem onde ele faz esse comentário. https://www.youtube.com/watch?v=jw797e6X44U&t=2410s        Para facilitar o comentário está no tempo 3:30 até 4:15.

Será que tendo esse verso como referência podemos mesmo chegar à conclusão que a vontade de Jesus por algum momento que seja, não esteve em harmonia com a vontade de Deus? Será que no coração de Jesus havia algum tipo de vontade ou desejo, que em algum momento de Sua vida que não estivesse em harmonia com a vontade de Deus?
Jesus nos ensinou em Mateus 22:37-39 o amor a Deus e ao próximo deve reinar plenamente sempre em nosso coração. Ele não poderia fazer aos fariseus a repreensão que fez em Mat. 23:27 chamando-os de sepulcros caiados, limpos por fora e cheios de imundícias por dentro, se Ele mesmo tivesse tido, mesmo que apenas em algum momento em seu coração, algum tipo de desejo ou vontade que não estivesse em harmonia com a vontade de Deus.
Mas retomemos ao questionamento…
Considerando que existem apenas dois caminhos ou atitudes e se a vontade de Deus não operar na vida, certamente a que opera é do inimigo. Jesus ao referir-se a satanás afirmou: “ ele nada tem em Mim” João 14:30. Sobre esta afirmação, irmã Ellen White, inspirada por Deus, deixou-nos escrito:
“Vem o príncipe do mundo”, disse Jesus; “ele nada tem em Mim.” João 14:30. Nada havia nEle que correspondesse aos sofismas de Satanás. Ele não consentia com o pecado. Nem por um pensamento cedia à tentação.” DTN p. 123
Sendo assim, percebe-se claramente quem tinha prioridade no dia a dia de Jesus.
A postura de Jesus sempre foi de servo e alegrava-se em fazer a vontade de Pai.
No Getsêmani Jesus clamou ao Pai, “Meu Pai, se possível, passe de Mim este cálice! Todavia, não seja como Eu quero, e sim como Tu queres.”Mat..26:39. Deste texto pode-se questionar: JESUS NÃO TINHA VONTADE PRÓPRIA?

O texto a seguir da Lição da Escola Sabatina responde:
“Mas, acima de tudo Jesus também teve que fazer escolhas, e a maior delas foi a de ir para a cruz mesmo que sua natureza humana gritasse contra isso. ‘Meu Pai, se possível, passe de Mim este cálice! Todavia, não seja como Eu quero, e sim como Tu queres.’ (Mat.26:39)” Lição E S 2º trim. 2016 prof. O Evangelho de Mateus P. 146
Interessante notar que este texto pode ser mal interpretado por pessoas que acreditam que Jesus tinha propensões para pecar, mas graças ao nosso bom Deus a mesma lição na página 149, encontra-se uma explicação e um texto do Espírito de Profecia esclarecendo a afirmação feita na página 146, não deixando margem para que o mesmo pudesse ser usado fora de contexto e criando especulações contrárias aos escritos inspirados:
“Não era a morte física que Jesus temia quando orou para que o cálice passasse dEle. O cálice que Ele temia era a separação de Deus. Jesus sabia que, para Se tornar pecado por nós, para morrer em nosso lugar, para suportar em Si mesmo a ira de Deus contra o pecado, Ele teria que ser separado do Pai. A transgressão da santa lei de Deus era tão séria que exigia a morte do transgressor. Jesus veio precisamente porque iria tomar essa morte sobre Si, a fim de nos poupar dela. Era isso que estava em jogo com relação a Jesus e a nós.” Lição E S 2º trim. 2016 prof. O Evangelho de Mateus P. 149
Texto do Espírito de Profecia encontrado na referida lição:
“Com as questões do conflito diante de Si, a alma de Cristo Se encheu de terror da separação de Deus. Satanás lhe dizia que, se Ele Se tornasse o penhor de um mundo pecaminoso, seria eterna a separação. Ele Se identificaria com o reino de Satanás, e nunca mais seria um com Deus. […] O tremendo momento havia chegado – aquele momento que decidiria o destino do mundo. Na balança oscilava a sorte da humanidade. Cristo ainda podia recusar-Se a beber o cálice reservado ao homem culpado. Ainda não era tarde demais. Poderia enxugar da fronte o suor de sangue, e deixar perecer o homem em sua iniquidade. Poderia dizer: Receba o pecador o castigo de seu pecado, e Eu voltarei ao Meu Pai. […] (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações p. 687-689) Lição E S 2º trim. 2016 prof. O Evangelho de Mateus P. 149
Fica claro que o que incomodava Jesus naquele momento e mais causava nEle agonia era o medo da separação de Deus. A vontade de Jesus não era contrária a vontade de Deus, era simplesmente de ficar sempre ao lado do Pai. Jesus sabia que em algum momento de Sua missão Ele sentiria essa separação e era isso e somente isso que causava agonia no coração de Jesus.
O texto do Espírito de Profecia é bastante esclarecedor quanto a essa afirmação de Jesus: “Foi o peso do pecado, a sensação de sua terrível enormidade e da separação por ele causada entre Deus e a alma, que quebrantaram o coração do Filho de Deus.” Caminho a Cristo p. 13

VONTADE DE CRISTO SEMPRE AO LADO DA VONTADE DE DEUS

“Cristo foi tentado em todos os pontos como nós; mas Sua vontade foi sempre conservada ao lado da vontade de Deus.” Ellen G. White, NOSSA ALTA VOCAÇÃO MM 1962 p. 105
“Cristo declarou: “Eu desci do Céu não para fazer a Minha vontade, mas a vontade dAquele que Me enviou.” João 6:38. Sua vontade foi ativamente exercida para salvar a alma dos homens. Sua vontade humana era nutrida pela divina. Seus servos hoje fariam bem em perguntar-se a si mesmos: “Que espécie de vontade estou eu, individualmente, cultivando? Tenho eu estado a satisfazer os próprios desejos, mantendo-me em egoísmo e obstinação?” Se assim fazemos, achamo-nos em grande perigo, pois Satanás governará sempre a vontade que não está sob o domínio do Espírito de Deus. Quando pomos a vontade em harmonia com a de Deus, a santa obediência que foi exemplificada na vida de Cristo se mostrará em nossa vida. Nossa Alta Vocação (Meditações Matinais, 1962), pág. 105.
Nota-se nos textos citados que a vontade de Cristo era sempre nutrida pela vontade de Deus. Assim, o resultado era uma harmonia de sentimentos. O mesmo pode se dar com cada pessoa que coloca a sua vontade nas mãos de Deus possibilitando uma vida semelhante à vida como Cristo viveu.
A vida de Cristo era SEMPRE de amor pela justiça SEMPRE aborreceu a iniqüidade:
“Cristo pôde dizer: “Não busco a Minha vontade, mas a vontade do Pai que Me enviou”. João 5:30. DEle é dito: “Amaste a justiça e aborreceste a iniqüidade; por isso Deus, o Teu Deus, Te ungiu com óleo de alegria mais do que a Teus companheiros”. Heb. 1:9. O Pai não Lhe dá “o Espírito por medida”. DTN p.180

É interessante salientar que que o Pastor Dennis Priebe utilizou alguns textos da revista Sinais dos Tempos (Signs of the Times, 29 de outubro de 1894) para a mensagem citada no início deste post. Infelizmente, usou-os de forma suprimida para defender o pensamento de que a vontade de Cristo, de certa forma era igual a nossa, tirando o real sentido da mensagem inspirada da Irmã Ellen G. White. Segue texto para análise:

“A vontade humana de Cristo não o teria levado ao deserto da tentação, jejuar e ser tentado pelo diabo. Não o teria levado a suportar a humilhação, o desprezo, a censura, o sofrimento e a morte. Sua natureza humana se encolheu de todas essas coisas, tão decididamente quanto a nossa se retraiu.” Signs of the Times 29 de outubro de 1894

A parte suprimida é a continuação do texto acima:: “O contraste entre a vida e o caráter de Cristo e de nossa vida e caráter é doloroso de se contemplar.” “Jesus Cristo é nosso exemplo em todas as coisas. Ele começou a vida, passou por suas experiências e terminou seu registro, com uma vontade humana santificada. Ele foi tentado em todos os pontos como nós somos, e ainda assim, porque ele manteve sua vontade entregue e santificado, Ele nunca se inclinou no menor grau para fazer o mal, ou para manifestar rebelião contra Deus” Signs of the Times 29 de outubro de 1894

Com o texto completo percebe-se claramente o objetivo do Senhor para nós é que tenhamos nossa vontade SANTIFICADA.
“Aqueles que têm uma vontade santificada, que está em uníssono com a vontade de Cristo, terão, dia após dia, suas vontades ligadas à vontade de Cristo, que agirá em abençoar os outros e reagirá sobre si mesmos com o poder divino. Muitos cultivam as coisas que guerreiam contra a alma; porque os seus desejos e a sua vontade estão contra Deus e são empregados no serviço de Satanás.” Signs of the Times 29 de outubro de 1894

“Quando o poder de Satanás sobre as almas é quebrado, vemos homens ligando sua vontade à cruz e crucificando a carne com afeições e luxúrias. É de fato uma crucificação de si mesmo; porque a vontade é entregue a Cristo. A vontade do homem não é forte demais quando é santificada e colocada ao lado de Cristo” Signs of the Times 29 de outubro de 1894
“Cristo foi tentado em todos os pontos como nós; mas Sua vontade foi sempre conservada ao lado da vontade de Deus.”NOSSA ALTA VOCAÇÃO MM 1962 p. 105

“Ele sofreu ao ser tentado, e sofreu proporcionalmente à perfeição de Sua santidade. Mas o príncipe das trevas não achou nEle ; nem sequer um simples PENSAMENTO OU  SENTIMENTO respondeu à tentação.” Ellen White e a Humanidade de Cristo p. 152

O Senhor quer o melhor para seus filhos. O caráter santo de Jesus é o maior desejo de Deus. Deve-se “examinar as escrituras”(Jo 5:39), “crer nos profetas do Senhor” (2 Crônicas 20:20) e ser como os “bereanos” (Atos 17:11) para confirmarmos a vontade de Deus em nossa vida. Que Deus guarde!

A ESSÊNCIA DO EVANGELHO

FALSO EVANGELHO DIVULGADO ENTRE NÓS

PRECISAMOS ACREDITAR

NUNCA IGUALAR O MODELO