I Coríntios 9:27 e Romanos 7:14-19

“Antes, subjugo o meu corpo e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado”. 1 Coríntios 9:27 ARC

Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado”. 1 Coríntios 9:27  ARA

“Porque bem sabemos que a lei é espiritual. Eu, porém, sou carnal, vendido à escravidão do pecado”. Romanos 7:14

Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim, mas não o realizá-lo. Porque não faço o bem que eu quero, mas o mal que não quero, esse faço”. Romanos 7:18,19 NAA

Em uma mensagem sobre santificação vi um teólogo adventista, Pr. Renato Stencel, fazer o seguinte comentário: Paulo diz eu me esmurro, ele tentava fazer o que era certo e não conseguia fazer. Miserável homem que sou”.

Vou deixar a seguir o tempo em que ele faz esse comentário e o link da mensagem.

Tempo 58 min 30 s, https://www.youtube.com/watch?v=Kiqlv9rAmoY

Mensagem no YOUTUBE sobre Santificação do Pr, Renato Stencel com participação do Pr. Fábio Darius.

O texto bíblico onde Paulo diz que esmurrava seu corpo é 1 Coríntios 9:27!

Já o texto bíblico onde Paulo diz “Miserável homem que sou” está em Romanos 7:24.

Não é raro ver pessoas fazer um link entre esses dois textos, mas é triste ver um teólogo fazer isso. Digo que é triste porque, não existe uma narrativa de fracasso em 1 Coríntios 9:27! Como que isso passa desapercebido mesmo para um teólogo!

Acho que na mente dessas pessoas ocorre o seguinte. Imaginam Paulo esmurrando seu corpo como sendo uma atitude de tristeza, frustação, por não conseguir obedecer a Deus. Por imaginar que Paulo estava se esmurrando por não conseguir obedecer a Deus, levam essa imaginação para o capítulo 7 de Romanos, onde Paulo afirma não conseguir fazer o que é certo, verso 19,  e  diz, “miserável homem que sou”, verso 24!

Ao ler todo capítulo 9 de 1º Coríntios pude constatar que este texto não me faz acreditar ser impossível ficar livre da escravidão do pecado. Muito pelo contrário, esse texto passou a ser mais um estímulo para que eu acredite nessa possibilidade. Mas eu não me detive apenas no fato de Paulo esmurrar seu corpo. Orei ao Senhor Espírito Santo pedindo esclarecimento. Analisei todo o capítulo e procurei não esquecer da importância de não dar uma interpretação a este texto que estivesse em contradição com outras afirmações de Paulo em outros capítulos ou em outros livros.

Nos versos 1 a 14, Paulo argumenta o fato de ser correto àqueles que pregam o evangelho viverem do evangelho.

Dos versos 15 ao 23, Paulo comenta seu estilo de vida na pregação do evangelho, como se identificava com as pessoas procurando alcançá-las de todas as formas.

Nos versos 24 e 25, Paulo fala de vitória, a busca de um prêmio, nos lembra que em uma competição apenas um alcança o prêmio, mesmo assim lutam e se abstêm de tudo que pode prejudicá-los, mesmo estando lutando por um prêmio corruptível. Então Paulo nos exorta a lutar de forma que alcancemos o prêmio nos lembrando que nosso prêmio é incorruptível.

No verso 26, Paulo tem a convicção de ter um objetivo bem definido, de estar combatendo um propósito certo.

No verso 27 Paulo esmurra seu corpo, subjuga seu corpo e o reduz a servidão para que ensinando a outros ele mesmo não venha a ser repreendido. É importante destacar o fato de que Paulo alcança seu objetivo, ele luta, esmurra ou subjuga seu corpo e o “reduz à servidão”. É verdade que existe uma luta descrita neste verso, mas Paulo alcança a vitória, alcança seu objetivo. Ele reduz seu corpo à servidão.

Paulo nos ensina em Efésios 6, quais as armas que devem ser usadas por aqueles que também querem alcançar a vitória: a verdade, o evangelho da paz, a couraça da justiça, o escudo da fé, a espada do espírito – a Palavra de Deus, com oração e súplicas, vigiando a todo o tempo. Se Paulo estava vencendo é certo que estava fazendo uso de tais armas.

Outro fato muito importante neste verso, é que Paulo não queria que ensinando os outros, ele mesmo viesse a ser repreendido. Então Paulo, pelo poder de Deus está no controle, reduz o seu corpo à servidão, para não ser repreendido naquilo que ele mesmo ensinava a outros.

Paulo reduz o seu corpo à servidão, qualquer interpretação que dermos a este fato tem que estar em harmonia com o que Paulo ensinava, pois é exatamente este o seu desejo. Ele não queria viver de forma contrária aos seus próprios ensinamentos.

Vamos lembrar alguns dos ensinamentos de Paulo, lembrando que ele era um instrumento nas mãos de Deus:

  1. Em Romanos 6:6, Paulo nos ensina a possibilidade de uma nova vida, a morte do velho homem, para não vivermos mais como escravos do pecado;
  2. Em Romanos 6:12, nesta nova vida o pecado não mais reina, obrigando este novo homem obedecer as paixões desse corpo mortal;
  3. Romanos 6:14, o pecado não mais tem domínio, pois este homem não está mais debaixo da Lei, condenado pela Lei, mas sim debaixo da graça;
  4. Romanos 6:10, o pecado não mais reina, não mais domina porque este novo homem morreu para o pecado e está vivendo para Deus;
  5. Romanos 8:8, Paulo também ensinava que os que estão vivendo segundo a carne não podem agradar a Deus

Paulo vivia em harmonia com o que ensinava e se identificava com aqueles que não estavam andando mais segundo a carne, mas segundo o Espírito. Romanos 8:4

Como entender então a afirmação de Paulo esmurrar ou subjugar o corpo e reduzi-lo a servidão?

Em Romanos 8:13, temos claramente revelado o que significa esmurrar ou subjugar o corpo:

“Porque, se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas, sepelo Espíritomortificardes os feitos do corpo, certamente, vivereis”.

Pelo poder do Senhor Espírito Santo, Paulo está subjugando ou mortificando os feitos do corpo como resultado de não estar mais vivendo segundo a carne, mas segundo o Espírito.

Paulo esmurra ou subjuga seu corpo e o reduz a servidão, que servidão é esta? Temos a resposta de uma forma muito clara em Romanos 6:16 e 18:

“Não sabeis que daquele a quem ofereceis como servos para a obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos, seja do pecado para a morte ou para a obediência para a justiça? (…) E, uma vez libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça”. Romanos 6:16 e 18

Vemos em Romanos 6:16 que nós decidimos do que nós seremos servos do pecado para a morte ou da obediência para a justiça. Romanos 6:18, aquele que se libertou da escravidão do pecado se torna servo da justiça.

Então podemos concluir que Paulo esmurra ou subjuga o seu corpo e assim, pelo poder do Espírito Santo, mortifica os feitos do corpo, é libertado da escravidão do pecado, reduz o seu corpo à servidão, ou seja, se torna um servo de Deus. Não podemos imaginar que Paulo estava esmurrando ou subjugando seu corpo para ser servo do pecado! Isso ele já era por natureza!

Seu objetivo era ser servo de Deus, pelo poder de Deus ele alcançou seu objetivo! 1 Coríntios é um relato de vitória sobre o pecado, é um texto que descreve uma situação completamente diferente daquela descrita em Romanos 7:14-24.

A última geração, a geração que contemplará nosso Senhor vindo nas nuvens do céu. Terá também, pelo poder do Senhor Espírito Santo, mortificados os feitos deste corpo carnal e então libertados da escravidão do pecado, se tornaram servos da justiça, servos de Deus então ouvirão as seguintes palavras:

“Disse o Senhor: muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do seu Senhor” Mateus 25:21

Após o pastor fazer a tal citação de Paulo se esmurrando e não conseguindo fazer o bem e falando de sua “miserável condição”, ele também menciona Gálatas 2:20 onde Paulo afirma, “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim”.

Acredito então ser necessário esclarecer algo muito importante que também parece passar desapercebido mesmo para teólogos adventistas! O fato da justiça de Cristo não poder ser usada como uma capa para encobrir pecados, NÃO CONFESSADOS E NÃO ABANDONADOS! Não sei se essa era a intenção do Pr. Renato Stencel, mas é importante deixar bem claro essa questão! Infelizmente já vi teólogos adventistas usando a justiça de Cristo para cobrir pecados não confessados e não abandonados, então repito, precisamos entender que isso não acontecerá, “pois Deus não cobrirá o mal com as vestes de Sua justiça”.  Constataremos essa verdade nos textos do Espírito de Profecia a seguir

“Unicamente por fiel arrependimento serão perdoados os seus pecados; pois Deus não cobrirá o mal com as vestes de Sua justiça”. MM 1956, Filhos e Filhas de Deus, p. 13

“A única esperança de todo homem está em Jesus Cristo, que trouxe a veste de Sua justiça para pôr sobre o pecador que despisse as suas vestes de imundícia. … Todos quantos entrarem [pelas portas da cidade] trajarão as vestes da justiça de Cristo. […] Não haverá nenhuma cobertura de pecados e faltas para ocultar a deformidade do caráter; veste alguma será meio lavada; mas todas serão puras e imaculadas”. The Youth’s Instructor, 18 de agosto de 1886. (MM 1956, Filhos e Filhas de Deus, p. 66)

 “Toda impureza de pensamento, toda paixão concupiscente, separa a alma de Deus; pois Cristo jamais pode pôr Sua veste de justiça sobre um pecador, para ocultar-lhe a deformidade”. MM 1962, Nossa Alta Vocação, p. 212

“Todos estes esperam ser salvos pela morte de Cristo, ao passo que recusam viver Sua vida de abnegação. Exaltam as riquezas da livre graça, e procuram cobrir-se com a aparência de justiça, esperando assim ocultar os defeitos de caráter, mas seus esforços serão vãos no dia de Deus. A justiça de Cristo não encobrirá pecado algum acariciado”. Parábolas de Jesus p.316

“Não é genuíno nenhum arrependimento que não opere a reforma. A justiça de Cristo não é uma capa para encobrir pecados não confessados e não abandonados; é um princípio de vida que transforma o caráter e rege a conduta. Santidade é integridade para com Deus; é a inteira entregada alma e da vida para habitação dos princípios do Céu”. O Desejado De Todas As Nações, p. 555

Isso é muito claro, não? “A justiça de Cristo não é uma capa para encobrir pecados não confessados e não abandonados”.

Vejam como o texto a seguir pode também ser usado como uma capa para encobrir pecados não confessados e não abandonados!

Quando então o Senhor nos contemplar, verá não o vestido de folhas de figueira, não a nudez e deformidade do pecado, mas Suas próprias vestes de justiça que são a obediência perfeita à lei de Jeová”, Parábolas de Jesus, p. 312

Agora vejam como o simples contexto imediato desse texto esclarece em que circunstância somos cobertos pela justiça de Cristo.

“Por Sua obediência perfeita tornou possível a todo homem obedecer aos mandamentos de Deus. Ao nos sujeitarmos a Cristo, nosso coração se une ao Seu, nossa vontade imerge em Sua vontade, nosso espírito torna-se um com Seu espírito, nossos pensamentos serão levados cativos a Ele; vivemos Sua vida. Isso é o que significa estar trajado com as vestes de Sua justiça. Quando então o Senhor nos contemplar, verá não o vestido de folhas de figueira, não a nudez e deformidade do pecado, mas Suas próprias vestes de justiça que são a obediência perfeita à lei de Jeová”.  Parábolas de Jesus, p. 312

Mesmo diante de mensagens tão claras vou mostrar a seguir uma citação de George R. Knight, que é uma referência para pastores adventistas, onde ele de certa forma usa a justiça de Cristo como uma capa para cobrir pecados não confessados e não abandonados!

“Justificação, no uso que Paulo faz da palavra, não significa tornar justo, mas declarar justo […]”

“Em nenhuma das 41 vezes que o verbo justificar é usado no Antigo Testamento Hebraico Deus declara justo a alguém que não o é. Por exemplo, Êxodo 23:7 diz o seguinte: ‘Da falsa acusação teafastarás; não matarás o inocente e o justo, porque não justificarei o ímpio’. O ponto é que o Senhor nunca declara justo àquele que não se tornou justo pela relação do concerto com Ele. Essa relaçãoabrange a presença de Deus na vida. Ele declara justos àqueles que são justos em virtude de Sua presença na vida deles”. Lição da Escola Sabatina 2º Trim. 1990, CRISTO O ÚNICO CAMINHO, P. 46

O perdão de Deus não é meramente um ato judicial pelo qual Ele nos livra da condenação. É não somente perdão pelo pecado, mas livramento do pecado. É o transbordamento de amor redentor que transforma o coração. Davi tinha a verdadeira concepção do perdão ao orar: ‘Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova em mim um espírito reto.’ Sal. 51:10”. O Maior Discurso de Cristo, p. 91

Desperta professo povo de Deus!

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